Inflexões Avenses

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Inflexões (publicadas a 28 de Janeiro)

Fronteiras: O mau relacionamento entre Santo Tirso e Trofa resultado da criação deste último concelho há dez anos atrás continua e continuará a dar que falar. Já envolveu batalhas judiciais e de facto poderá haver cidadãos prejudicados com a ausência de uma delimitação das fronteiras entre os dois municípios por parte da Assembleia da República. Não se percebe como dez anos após a criação do concelho ainda há questões por resolver. E aqui responsabilizo, em primeiro lugar, os partidos que votaram a favor da criação do concelho da Trofa, porque deixaram o trabalho a meio. Sem me estender mais sobre este assunto, apenas evidencio quão ridículo foi o que qualquer pessoa poderá ter presenciado ao sair da auto-estrada na saída que dá ligação a Santo Tirso e à Trofa, na altura de Natal. Quem saía da portagem via, de frente, na rotunda, um conjunto iluminado em que a Câmara de Santo Tirso desejava ‘Boas Festas’, ao passo que nos topos Este e Oeste da mesma rotunda era a Câmara da Trofa com dois conjuntos iluminados a desejar a mesma coisa. Que triste exemplo de provincianismo bacoco deram estes concelhos a quem os visitou na época de Natal. É uma época de paz e de concórdia, mas não para os lados da fronteira Trofa/Santo Tirso ou Santo Tirso/Trofa. Coloco das duas formas para não ferir qualquer susceptibilidade.

Pe. Albertino: A escassos dias de comemorar 100 anos de vida, o Padre Albertino Martins não resistiu e partiu para junto do Pai neste mês de Janeiro. Tal como registei no meu blog, este sacerdote, apesar de ser natural de Souto, Terras de Bouro, conseguiu ser mais avense do que eu, pois esteve em Vila das Aves mais tempo do que toda a minha vida, mais de 33 anos. Dedicou a sua vida ao trabalho paroquial e durante a sua estada em terras avenses como capelão do Mosteiro das Clarissas e ajudando também no trabalho paroquial. A Vila das Aves deve-lhe sobretudo gratidão. Da minha parte fica apenas esta humilde e singela homenagem. Obrigado, Padre Albertino.

Nuances: Esperança, por um lado, pessimismo, por outro. Tem sido assim o início deste ano de 2009. A crise económica agudiza-se e as previsões das várias entidades saem furadas ao fim de escassos 15 dias. Do outro lado do Atlântico vivemos, a semana passada, o signo da esperança com a tomada de posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos. Foi impressionante a imagem de mais de dois milhões de pessoas na praça em frente ao Capitólio, em Washington. Acredito nas qualidades do homem, mas receio que as expectativas e a fasquia tenham sido colocadas demasiado alto. É muita coisa em cima dos ombros de um homem só. Oxalá ele se transcenda a ele próprio e traga algo de positivo ao Mundo. Impressionante e inigualável é também o sentimento dos americanos pelo seu país. A bandeira americana é dos símbolos mais respeitados dos americanos, ao passo que entre nós é só quando há futebol das quinas. Aprecio sobretudo o ideal colectivo que eles cultivam. Cada um trabalha e luta para o bem comum do engrandecimento da América. Aqui, infelizmente, a sociedade é cada vez mais individualista. Não sou daqueles pró-americanos e critico muito a soberba e até a ignorância dos americanos, mas há certas questões em que são imbatíveis e muito temos a aprender com eles.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Despedida do padre Albertino Martins


Foi hoje, dia 15 de Janeiro de 2009, a sepultar na sua terra natal, o padre Albertino Martins.
Fui avense toda a vida, mas ele, apesar de ser natural de Souto (Terras de Bouro), consegue ser mais avense que eu. Esteve em Vila das Aves 33 anos. Cá chegou, segundo o anuário católico, no dia 7 de Abril de 1975. Eu nasceria alguns meses depois.
Foram décadas dedicadas de modo particular ao trabalho de capelão no mosteiro das Clarissas, mas também de colaboração próxima com o trabalho da paróquia.
Faria 100 anos no próximo dia 7 de Fevereiro. Faltavam 24 dias para essa festa que estava já a ser preparada. Não resistiu. Viveu uma vida longa totalmente dedicada ao sacerdócio.
Fica a saudade e a certeza de que se encontra ao lado do Pai a velar por todos nós.
Obrigado, Padre Albertino.

PS: A foto aqui publicada foi, por mim, tirada no passado dia 23 de Março de 2008, dia de Páscoa. Foi na celebração eucarística da tarde, sendo que o Padre Albertino é o primeiro a contar da esquerda, seguindo-se o pároco, Padre Fernando Abreu, e o padre Fernando Marques Oliveira. Foi a sua última Páscoa.

Neve por cá... 26 anos depois



Há cerca de 26 anos atrás, no dia 16 de Fevereiro de 1983, em pleno Carnaval, acordei e tive uma surpresa quando saí cá fora. Neve, muita neve, como nunca tinha visto. Saí com o meu pai e fomos fazer fotografias. Fizemos várias, mas uma tenho bem presente. Com apenas sete anos, estou junto a um boneco de neve, no largo da Tojela, com o esqueleto dos prédios por trás, ainda em construção.
26 anos depois fomos de novo brindados com um manto de neve, desta vez caiu em plena luz do dia. O dia 9 de Janeiro ficará para a história. Deixo o registo fotográfico da neve a cair, a partir da janela de minha casa, não nas Aves, mas em Delães.